Saudade


Eu estou sentindo uma infinita saudade
vinda de não sei que infinito do mundo

Uma saudade doída,
que pede que eu fale,
chore, escreva, blasfeme
ou lhe dedique, apenas, um verso triste,
sem rima, sem métrica, sem forma...

Um verso branco esmaecido pelo tempo,
com o incolor das grandes tristezas...

E eu falo,
choro, escrevo e blasfemo

Não sei se justa ou injustamente,
não sei fazer versos brancos
para aliviar minha saudade,
como não sei contra quem devo blasfemar,
por isso, blasfemo a esmo...
Olho em meu redor os que passam
com o semblante sem marca de saudade,
de revolta ou de tristeza.

Olho novamente e penso,
e medito detidamente
e vejo que Deus me deu um coração
infinitamente sensível,
capaz de amar, sentir, sofrer e perdoar.

E o que fiz eu para merecer tanto?
Reflito envergonhada e concluo
que seria ingrata, friamente ingrata,
se continuasse blasfemando infinitamente
contra não sei quem...

Porque pior,
bem pior do que não sentir uma infinita saudade,
é ter o coração infinitamente deserto de ternura,
de afeto, de sensibilidade
e da própria saudade...

 

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