E Amanhã


Ontem,
meu dia amanheceu nublado...
Nuvens negras corriam nervosas, enfurecidas,
como se tivessem pressa de chegar a algum lugar...
O Sol se escondeu,
com medo das nuvens nervosas e enfurecidas.

E o vento?
O vento, amuado, fazia traquinagens:
assobiava canções esquisitas,
e, maldosamente, empurrava as nuvens
de um lado para o outro, desordenadamente.

Hoje,
meu dia amanheceu tempestuoso.
Novamente, as nuvens cor de sujo
cobriram raivosamente o azul do infinito,
e esconderam o rabisco da lua,
que, timidamente, aparecia perdido na amplidão.
O mar bramia zangado,
esmurrava fortemente o rochedo
e descarregava nele toda a sua fúria.

E Amanhã?
Como amanhecerá o meu dia?
Nublado? Tempestuoso ou cheio de sol?

A meteorologia do meu coração
indica um amanhã de tempo bom,
com nuvens claras.
Tempo limpo, de mar parado,
com vagas sonolentas.
Amanhã de vento manso e sol dourado,
com rabisco de lua prateada,
brilhando na amplidão.
Um amanhã pleno de aspirações,
porque tudo anuncia
o renascer de um raio de esperança
em minha alma,
e reacende em mim
uma vontade imensa de viver
o resto de vida que ainda me resta...

 

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