Confidências


Meu coração era um ser angustiado,
um museu abstrato que guardava
meu tesouro ambulante de lembranças...
Alimentava-se do passado, respirava o passado,
e se negava a viver o presente,
com medo das violências sentimentais...

Descrente da trilogia do tempo,
se esqueceu de que todo o ser,
por menos que viva, passa pelo passado,
vive o presente e morre no futuro
porque, no cenário da vida,
cada partícula de tempo,
é quase ao mesmo tempo
presente, passado e futuro.

Desencantado, o museu abstrato,
depois de engavetar o meu tesouro maior,
a alegria, a esperança, a felicidade
e meus pensamentos poéticos e devassos,
fechou suas portas e jogou as chaves fora,
no precipício do esquecimento...

Um dia, como um raio de sol,
você iluminou a minha vida...
E com as chaves do seu sorriso,
abriu a porta da minha alegria...
Com sua perseverança quase utópica,
abriu a porta da minha esperança...
Com sua generosidade, seu desprendimento,
abriu a porta da minha felicidade...

Com o seu imensurável carinho,
despertou meus sentimentos eróticos,
há muito adormecidos.
E com a comunhão de todos esses bens
que ajudou a vida a me devolver,
você me fez deixar para trás o passado,
acreditar no presente e nas possibilidades
que nos pode oferecer o futuro,
despertando, em mim, o sentimento maior :

O amor infinitamente infinito por você...

 

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